• Camila Wolf

Ela abriu mão

Atualizado: 21 de Dez de 2018

Ela abriu mão. Sem nenhuma palavra, ela abriu mão.

Abriu mão do medo.

Abriu mão dos julgamentos.

Abriu mão da confluência das opiniões em torno de sua cabeça.

Abriu mão do comitê de indecisões dentro dela.

Ela abriu mão de todas as razões "certas". Inteira e completamente, sem hesitação ou preocupação, ela abriu mão.

Ela não perguntou a opinião de ninguém.

Não leu um livro sobre "Como abrir mão".

Não procurou nas escrituras.

Apenas abriu mão.


Ela abriu mão de todas as memórias que a prendiam.

Abriu mão da ansiedade que a impedia de seguir em frente.

Abriu mão do planejamento e cálculos sobre como fazer isso certo.

Ela não prometeu abrir mão.

Ela não escreveu um diário sobre isso. Nem anotou na agenda sobre esse dia.

Ela não fez nenhum pronunciamento público e não fez anúncio no jornal.

Ela não verificou a previsão do tempo e nem leu seu horóscopo diário.

Ela apenas abriu mão.

Ela não analisou se deveria ou não abrir mão.

Não ligou para os amigos para discutir o assunto.

Não fez nenhum tratamento espiritual de cinco passos. Não ligou para o padre.

Ela não pronunciou nenhuma palavra. Ela apenas abriu mão.

Não tinha ninguém perto quando isso aconteceu.

Nenhum aplauso ou parabéns.

Ninguém a agradeceu ou elogiou.

Ninguém percebeu nada.

Como uma folha que se solta da árvore, ela apenas abriu mão.

Não houve esforço. Não houve briga. Não foi bom e não foi ruim. Foi o que foi, simples assim.

E nesse espaço de abrir mão, ela deixou tudo ser. Um pequeno sorriso apareceu em seu rosto. Uma leve brisa soprou através dela. E a lua e o sol brilhavam para sempre.

Saphire Rose


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