• Camila Wolf

Natal para ansiosos

Atualizado: 22 de Dez de 2018

O Natal está próximo e como boa ansiosa que sou, estou escrevendo esse texto adiantado!

Não consigo esperar a hora certa!


Brincadeirinha. Imagino que no dia 24 você estará corrida(o), assando pernil, fazendo a unha ou comprando frutas de última hora. 

Então pensei em antecipar a mensagem de Natal, que sempre gera esse clima de amor, união e… ansiedade.


Para falar sobre o tema, perguntei nessa semana no Instagram o que deixava as pessoas mais ansiosas ou irritadas com a festa natalina e as respostas mais frequentes foram:

  • cobranças,

  • perguntas inconvenientes,

  • familiares desagradáveis a inevitável reflexão “o que fiz durante o ano”.

Resolvi comentar um pouco sobre cada um desses motivos de irritação e ansiedade e quem sabe assim, te ajudar a ter um Natal um pouquinho mais agradável.



Perguntas inconvenientes de parentes chatos


Vai casar quando? E essa barriga, está grávida ou gorda? Mas já trocou de namorado? Você já pensou em desistir de estudar pra concurso? Quem é o homem e quem é a mulher da relação?


Perguntas inconvenientes… Não importa o contexto, sempre existe a possibilidade de alguém fazê-las. E no Natal, com a reunião de família, algumas pessoas se sentem mais à vontades para entrar em assuntos que você geralmente não gosta de comentar com ninguém.


Percebo que essas perguntas geralmente se dividem em três categorias:

  1. É uma pergunta e eu não quero falar sobre isso

  2. É uma pergunta, mas eu recebo como cobrança

  3. É uma pergunta, eu recebo como cobrança e não quero falar sobre isso

No primeiro caso, é importante lembrar que o mesmo direito que vale para aquele tio que pode perguntar o que vier a cabeça vale para também para:

Você que escolhe o quer quer compartilhar ou não.

Às vezes nos sentimos obrigados a responder tudo,talvez para ser educado ou para não parecer rude, mas é um direito seu querer privacidade sobre certas coisas.

O que acontece na sua vida, seus medos, sonhos, desejos ou conflitos são partes de quem você é e às vezes expressá-los pode ser sentido como uma invasão.


E quando nos sentimos invadidos, a tendência é reagir com agressividade. Então você fala sobre o assunto, mas depois fica com raiva e vontade de ir embora. Ou reage com uma má resposta e fica se sentindo mal depois.


Antes de ir para a reunião familiar, pergunte a si mesma(o):

“sobre o que eu gostaria de falar?

"Quais são os assuntos da minha vida que não quero compartilhar”.


No segundo caso, eu recebo a pergunta inconveniente como uma cobrança.


Quando isso acontece, geralmente o assunto em discussão é algo que eu, internamente, já me cobro por isso. Posso me cobrar por não ter terminado a faculdade ainda, por não ter passado no concurso, por não conseguir engravidar…


E por mais inofensiva e bem intencionada que seja a pergunta, vai doer. Dói quando eu vejo um diploma, quando um colega aparece no jornal representando o órgão público em que trabalha, dói ao ver carrinhos de bebê na praça da cidade.


E essa dor não tem nada a ver com a pergunta inconveniente do parente. Ela já está lá, latente, pulsando, todos os dias.

E reconhecer isso te ajuda a não descontar essa dor na outra pessoa.


Aqui também cabe a delimitação do seu espaço:

“não quero falar sobre isso, podemos mudar de assunto?”


Assim, você se antecipa ao que pode acontecer e pensa em uma resposta amena, porém sincera: “eu não gostaria de falar sobre isso agora, tudo bem pra você?”.


Estabelecer esses limites nem sempre são fáceis, mas é uma forma de deixar claro para o outro: “ei, você só pode ir até aqui”.



Assuntos polêmicos

2018 foi sem dúvida um ano que dividiu pessoas e famílias. Depois de tantas discussões entre certo e errado, finalmente todas as pessoas que se xingaram e bloquearam no decorrer do ano irão se encontrar. E agora?


Eu adoraria dizer: “não brigue, mantenha conversas agradáveis, pratique a empatia”, mas sério… Quem sou eu para dizer isso? Ninguém.


Sei que certos assuntos provocam revolta e indignação e eu mesma não posso ver certos temas polêmicos sendo debatidos que já vou lá emitir minha opinião… E depois vem o aumento no tom de voz, cara feia e climão.


Então a única coisa que posso lhe dizer é: pega leve.

Entenda que cada um tem o seu jeito de pensar, suas razões, seus motivos e não cabe a você mudar o outro. Tem uma frase que gosto bastante que diz:

viva e deixe viver”.

Ou seja, pense do seu jeito, faça as suas coisas e permita que o outro pense e faça as coisas do jeito dele.


Saudade de entes queridos

Natal é uma data associada à família e assim, sentimos falta daqueles que não estão mais presentes.


Enquanto nos dois últimos tópicos falamos sobre a irritação que temos com os que estão aqui, nesse falamos do oposto: a ausência que faz aqueles que já foram.


E isso nos leva a refletir sobre como estamos realmente aproveitando a presença de cada um. Aquele enjoado, que critica, que cobra… Aquele que reclama, que não sabe respeitar o espaço do outro. Mas que de alguma forma, deixa saudade quando não está mais.


Vivemos muito tempo focados naquilo que poderia mudar e a ausência da pessoa amada torna urgente a necessidade de observarmos aquilo que já temos: uma família, uma amiga, um companheiro. Que caso um dia perdermos, sentiremos falta de cada pedacinho.


Lidar com a saudade de uma pessoa que não está aqui é algo constante e diário, que se torna mais evidente no Natal.

É importante dar lugar à essa saudade, a esses sentimentos que vierem à tona.
Permitir-se sentir é também uma forma de honrar os momentos vividos.

É relembrar, é reviver e saber que não tiveram tempos juntos o bastante (porque nunca é o bastante), mas que de alguma forma, você aprendeu e foi transformado pela presença dessa pessoa.


Esperomos ter ajudado com esse e-mail de Natal e que você consiga apreciar a presença irritante ou não irritante de cada pessoa que faz parte da sua vida e da sua história.


Desejamos de coração um feliz Natal e que você consiga cada vez mais trazer harmonia e paz para sua vida.


Abraços, 

Camila e Ana

Querida Ansiedade



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